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Petição contra o Novo Acordo Ortográfico

manifestodefesalinguapoug5

Já tive a oportunidade de, neste e em outros blogs, bem como em alguns fóruns, dizer o que penso sobre o novo acordo ortográfico. Não me vou repetir. Vou apenas indicar uma petição em defesa da Língua Portuguesa e contra o novo Acordo Ortográfico que podem assinar, basta terem à mão o vosso Bilhete de Identidade. Ainda vale a pena fazer valer o que sentimos acerca deste (des)acordo.

Esta petição, ao contrário de muitas outras que por aí andam, está muito bem estruturada e redigida sendo, sem dúvida, aquela que melhor poderá valer o seu propósito. Se já assinaram uma outra, por favor, assinem esta já que, como disse e repito, é a que melhor está colocada para fazer valer a sua posição. Chegar às 200 mil assinaturas é a grande meta.

Aqui fica ela: http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa/

EDITED: A petição, entretanto, foi entregue à Comissão de Ética, Sociedade e Cultura da Assembleia da República a qual emitiu um relatório. Não obstante ele ser positivo e a questão ter sido já analisada pelo plenário da Assembleia da República, a petição pode e deve ainda ser assinada pelos interessados.

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6 Responses to “Petição contra o Novo Acordo Ortográfico”


  1. 1 Spert
    10 de Junho de 2009 às 01:55

    Apenas vi este post, e não sei porque está compra este acordo, mas parece-me que é contra a evolução da língua… Quantas acordos ortográficos já foram criados desde que o Português existe? Qual o problema em simplificar, uniformizar e evoluir?

    Quanto a esta petição, estará bem redigida? Acredito que sim, mas quanto às ideias apresentadas e objectividade? Não me parece:

    “O uso oral e escrito da língua portuguesa degradou-se a um ponto de aviltamento inaceitável, porque fere irremediavelmente a nossa identidade multissecular e o riquíssimo legado civilizacional e histórico que recebemos e nos cumpre transmitir aos vindouros.”

    Porque se degradou? É mesmo inaceitável? Fere a nossa identidade?

    • 10 de Junho de 2009 às 11:37

      Respeito a sua opinião no que concerne às coisas objectivas que afirmou.

      Não respeito quanto às coisas que sobre mim disse. Não estou contra a evolução da língua. Estou contra a aproximação do Português de Portugal ao Português do Brasil, tal como estaria seu eu fosse Brasileiro. O que se procura é a criação de novos mercados livreiros do outro lado do atlântico, mais nada. E nesse sentido fere a identidade de qualquer um dos países.

      Muitos acordos ortográficos houveram ao longo dos séculos. Sei-os tão bem quanto você. Mas nenhum deles foi ao ponto de, como neste, tornar formalmente indistinguíveis palavras tão simples como “para” e “pára”. Portanto, a título de exemplo, se eu quiser uma capa de jornal do género “Quimonda Pára Produção” já não posso utilizar “pára” mas sim “para”, isto é: Quimonda Para Produção. Isto não é simplificar, isto é facilitismo para os meninos que não sabem escrever (sim, porque em termos de fala não muda nada, muda sim é a escrita, dificultando gravemente a interpretação de palavras que passam a ter milhentos significados). Mas isto é apenas um pequeno exemplo num oceano vastíssimo que podemos encontrar no ponto 9.º do Acordo:

      “Prescinde-se, quer do acento agudo, quer do circunflexo, para distinguir palavras paroxítonas que, tendo respetivamente vogal tónica/tônica aberta ou fechada, são homógrafas de palavras proclíticas. Assim, deixam de se distinguir pelo acento gráfico: para (á), flexão de parar, e para, preposição; pela(s) (é), substantivo e flexão de pelar, e pela(s), combinação de per e la(s); pelo (é), flexão de pelar, e pelo(s) (ê), substantivo ou combinação de per e lo(s); polo(s) (ó), substantivo, e polo(s), combinação antiga e popular de por e lo(s); etc.”

      Mais exemplos:

      bóia -> boia
      asteróide -> asteroide
      heróico -> heroico
      jóia -> joia

      Por outro lado, este acordo é perito em criar palavras que podem ser escritas de 4, 5 e às vezes, 6 modos diferentes. Porque agora existe uma coisa chamada “dupla grafia” (mas que às vezes é muito mais do que dupla), que, por outras palavras significa isto: escreve a palavra da forma que quiseres que não escreves nenhum erro… Ou seja, isto é uma coisa boa para os meninos preguiçosos que não querem aprender a escrever as palavras correctamente, que é como quem diz: isto é para os meninos que não querem saber da língua portuguesa para mais nada, senão para a falar no café.

      Exemplos:

      Formas verbais como ‘fraccionámos’ e ‘decepcionámos’ passarão a ter, não duas, mas quatro grafias correctas na “ortografia unificada” do português, assim:

      fraccionámos, fraccionamos, fracionámos, fracionámos;

      decepcionámos, decepcionamos, dececionámos, dececionamos.

      O adjectivo ‘electrónico’ passa a ter quatro:

      electrónico, eletrónico, electrônico, eletrônico.

      E ainda há aquela linda situação das sequências interiores de algumas palavras: “mpc”; exemplo: “assumpção” passa a escrever-se “assunção”. Ou seja: uma palavra que significa “assumir”, passou a ser o nome de uma mulher: “Assunção”…

      E podia estar aqui até à meia noite para te falar em imprecisões, falhas gravíssimas que empobrecem a língua portuguesa, mas enriquecem as livrarias e editoras. Porque, não sei se sabe, a língua portuguesa é muito mais do que conversas de café e comentários de blogs, a língua portuguesa é também poesia, prosa, conto, romance, dramaturgia, etc… Géneros literários que ficam a perder imensamente (especialmente a poesia, o conto e a dramaturgia – que, por coincidência, também não enriquecem nem as livrarias nem as editoras).

      Portanto, antes de partir para as conclusões, verifique primeiro se as pessoas a quem as atribui estão ao nível delas…

      Isto é apenas uma pequena gota num vasto oceano, tenho aqui dezenas de outros exemplos (bem quotidianos) preparados, basta puxarem o gatilho.

      Com os melhores cumprimentos.

  2. 3 Spert
    11 de Junho de 2009 às 02:48

    Penso que está muito mais informado sobre este acordo do que eu, mas todos os exemplos que deu não serão diferentes de outras palavras que já existem no Português de Portugal. No exemplo do “Pára”, se remover o acento penso que será perceptível sempre o seu contexto devido ao “para” ser uma preposição.

    Quanto ás várias grafias para a mesma forma verbal penso que também se trata de uma forma de flexibilizar e com o tempo algumas delas vão cair em desuso. Não estou a ver qual o real problema em termos várias grafias. Mesmo criando facilitismo aos meninos, acho que só teria vantagens. Não será uma mais valias a nossa língua ser escrita da mesma forma que é falada? A interpretação das palavras tanto é difícil quando são escritas ou faladas…

    E para terminar, porque é que os gêneros literários ficam a perder? Por causa do acordo vai deixar de existir algum gênero literário?

    Como dia de Portugal e de Luis de Camões, a leitura do texto original dos Lusíadas na Biblioteca Nacional: http://purl.pt/1 , será que a mensagem foi alterada por causa da forma de escrita?

    • 11 de Junho de 2009 às 09:58

      No pequeno exemplo que lhe dei do “para” não é assim tão perceptível se estiver envolto em numa frase e não solitariamente.

      Haver grafia múltipla é exactamente o contrário da filosofia da “ortografia”. Ou se sabe escrever uma palavra, ou não se sabe. Ortografia é isso, custe a quem custar.

      Viu o programa que deu ontem à noite na RTP2? Devia ter visto…

      Já agora, o que diz sobre os géneros literários demonstra bem o quanto desconhece poesia, conto e dramaturgia. Não é questão de desaparecer, é questão de empobrecer… E quando invoca Camões, enfim, devia ter mais cuidado porque não está em condições de achar que ele estaria a favor de um acordo assassino (citando as palavras de Vasco Graça Moura) como este…

  3. 5 Spert
    13 de Junho de 2009 às 22:57

    Peço desculpa novamente de volta a este tema. Eu não vi o programa da RTP2, não tenho acesso a este canal, e para ser sincero não estou muito a par da discussão em Portugal sobre este tema. Mas como convivo com alguns brasileiros, existe uma opinião unânime de que se as CPLPs começarem a adoptar acordos distintos nada iria contribuir para evolução do Português…

    Mas nesta discussão usar termo ortografia como sendo a forma correcta de escrever as palavras, é muito subjectivo.

    Na posição que é defendida que grafia múltipla é exactamente o contrário da filosofia de ortografia, não percebo porque, e penso que existe muitas outras pessoas com a mesma dúvida… E vejo que várias pessoas que estão contra este acordo ortográfico ainda não conseguiram justificar de uma forma objectiva, agarrando-se sempre apenas à definição do termo.

    Penso que a poesia, o conto e a dramaturgia não são totalmente desconhecidos para mim, mas também não percebo porque vão empobrecer com a adopção deste acordo…

    Quando invoquei Camões, não disse se ele estaria a favor ou contra, apenas foi um exemplo que como a língua evolui, penso que isso está implícito no texto que eu escrevi.

    Nos tempos de hoje a evolução das línguas deveria ser inevitável e deveriam contribuir para uma melhor comunicação entre todos, tenho pena que isso não aconteça e que estejamos tão agarrados à sua conversação e às questões culturais. Talvez tentarmos perceber porque os miúdos simplificam na escrita não fosse má ideia, no final de contas eles apenas querem comunicar…

    • 14 de Junho de 2009 às 01:29

      Se tivesse visto o programa da RTP2 (e tenho pena que não tenha acesso ao melhor canal da televisão portuguesa) encontrava lá grandes personalidade Portuguesas e Brasileiras ligadas à literatura que desmistificavam essa ideia errada que você e muitas outras pessoas têm de que é necessário uma “aproximação”. Na verdade, as diferenças, tanto para Portugueses, como para Brasileiros, nunca foram um entrave para o bom entendimento, isso é um falso pressuposto e uma falsa bandeira que os livreiros e editores nos querem vender quando, no fundo, o único interesse que têm é a procura de novos mercados do outro lado do atlântico, isto é, vendem-nos uma falsa bandeira, quando na realidade nos querem é vender livros. Aliás, basta olhar o Inglês, este cada vez mais de distancia entre o que é praticado nos EUA e no Reino Unido, o sentido do distanciamento continua e sempre continuará por interesses mútuos e, tanto quanto sei, ainda ninguém veio invocar essa “falsa bandeira” da necessidade de aproximação! Felizmente ainda há no Reino Unido e nos EUA quem valorize a sua própria cultura.

      Quando diz que não compreende como é que a poesia, o conto e a dramaturgia vão empobrecer, essa é a maior prova de que está distante de todas esses modos de expressão literária. Só uma pessoa que está muito fora deles não compreende. Como não compreende que só um profundo desconhecedor da língua portuguesa chama ao “c” e ao “p” (em algumas palavras) de consoantes mudas. Isso é fruto da educação fraca que existe neste país, fruto de ensino do Português de meia tigela que assola o nosso país desde a década de 90, baseado no facilitismo e nas leituras e interpretações ligeiras, sem nunca explicar de facto o que é a “ortografia” e o que é a “língua” e a “expressão” – ou sequer a necessidade que, num determinado momento, levou os Homens a estabelecer um conjunto de regrar de expressão linguística unânimes, baseadas no rigor.

      E quanto aos outros países que falam a língua Portuguesa? Porque não foram ouvidos? Outra pergunta que sempre foi feita e à qual ainda ninguém respondeu: se calhar, e isto digo eu, não são mercados literários tão lucrativos… Mas isto digo eu…

      E quando termina com a referência a “Talvez tentarmos perceber porque os miúdos simplificam na escrita não fosse má ideia, no final de contas eles apenas querem comunicar…”, não sei está a referir-se àqueles hieróglifos a que vulgarmente chama de “sms”, ou, por outro lado, “calão”, entre outras coisas muito engraçadas. Se é a isso que se refere, então é preferível fechar já a conversa – está muito longe de compreender o que significa a palavra “ortografia”. Muitos são também os que querem destruir as grandes construções humanas, isso sempre se verificou na sociedade, faz parte de uma cultura pop e rap que não valorizam nem conhecem os conceitos do “rigor”, da “epistemologia”, do “trabalho”, entre outros. Querem antes outros conceitos, como o “facilitismo”, a “rebeldia balofa”, e em alguns casos a “violência”. Essa cultura é também aquela que, de facto – e nisso tem você toda a razão – “apenas quer comunicar”. Pena que só o façam de uma forma caduca, desmembrada, desarticulada, fruto de uma cultura pobre – e essa sim completamente desenraizada do conceito de “progresso”. E nisso todos, sem excepção, temos culpa pelo nosso contemplativo silêncio.

      A língua sempre evoluiu e sempre continuará a evoluir. É um facto inexorável. Mas existem regras. Devem ser feitos estudos que há muito foram pedidos e ainda não foram entregues até ao momento (e quando deu aquele programa na RTP 2 também ainda não existiam). Pergunto porquê? Deixo essa questão/dúvida em aberto para o caso de a querer solucionar.

      Com os melhores cumprimentos.


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