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Out
08

(Xbox360) Far Cry 2

Comecei ontem a jogar o Far Cry 2  (FC2) na minha Xbox 360 (x360) e, depois de longas horas de jogo, ao contrário das muitas das críticas que li e que me levaram a o encomendar, estou um pouco desiludido. O jogo até nem é mau, especialmente para quem, como eu, aprecia um bom FPS. Ainda assim, os tempos são outros e a grande maioria dos FPS’s souberam evoluir para algo mais que não apenas a troca de tiros constantes. FC2, apesar de ainda não o ter terminado e essa ser a sua principal atracção – a longevidade -, apenas pouco mais do isso é, apesar de alguns pontos positivos.

Graficamente, pouco há que se possa apontar na medida em tudo tem uma apresentação realista, fazendo-nos sentir que estamos verdadeiramente num cenário de guerra civil, algures em África. Não obstante, creio, praticamente todos os FPS’s actuais atingiram standarts de qualidade gráfica absurdamente elevados, mas não podia deixar de afirmar que FC2, de entre muitos títulos que já joguei, poderá ser aquele que mais me atraí em termos de design e gráficos. Tudo está muito equilibrado, tanto as armas, como os veículos, as personagens, os edifícios, as árvores, a erva, os oásis, a selva, a savana, etc. O detalhe é impressionante na x360, só posso imaginar como será a versão PC no seu expoente! Infelizmente não existem muita destruição em FC2, os carros não explodem espectacularmente, não existem desmembramentos nos headshots, ou com rockets ou disparos de caçadeira à queima-roupa, nem tão pouco os edifícios se parecem recentir com as explosões a que, por vezes, são submetidos.

Claro que os gráficos, num FPS, são uma componente essencial. Mas em FC2, creio, são aquilo que realmente mais vale neste jogo, a par com o ciclo de noite e dia que, diga-se em abono da verdade, tem real utilidade e não apenas valor gráfico. É mais fácil abordar um campo inimigo durante a noite, sendo possível dizimar um por um apenas com a catana sem sermos identificados. Por outro lado as armas têm um comportamento que, a meu ver, é no mínimo estranho – é espectacular, mas não deixa de ser estranho. O ponto mais positivo das armas é que, com o tempo, começam a perder as suas características, encravando com mais frequência e chegando ao ponto de quebrarem ou explodirem se as suas condições forem realmente muito más e as dispararmos seguidamente. Isso torna o jogo mais complicado, nunca se sabendo se a arma vai encravar quando mais precisamos dela. Não obstante existe sempre a possibilidade de comprar armas com um negociante que também nos pode dar missões, essas dão-nos acesso a novas armas. Claro que ao comprar armas elas são novas e duram muito mais tempo, mas acabam por se deteriorar inexoravelmente. Claro que existem upgrades que também podem ser comprados, aumentando a precisão, a durabilidade, a quantidade de munições que podemos transportar, etc. Isso aumenta a complexidade do jogo, mas também não é nada de novo no mundo dos FPS’s. Fora isso, podemos transportar 4 armas, ou melhor, 3, uma vez que não podemos abdicar da catana. Uma arma primária, geralmente uma automática, uma sniper ou uma caçadeira. Uma arma secundária, geralmente um revolver, ou uma pequena uzi, etc. E uma arma especial, que podem ser várias, uma automática de elevado calibre, um lança rockets, etc… Só podemos transportar uma primária, uma secundária e uma especial, mas podemos sempre guardar armas nas “safehouses” se compramos caixas para elas. O “diamante” é a única moeda com valor, portanto, preparem-se para procurar diamantes com um sensor especial que acompanha o nosso radar GPS e todos os veículos. Também seremos pagos em diamantes quando aceitamos determinadas missões.

O sistema de vida em FC2 também é espectacular, ainda que também seja muito estranho. Temos uma quantidade de barras que, se não se esgotarem totalmente, acabam por recuperar a menos que estejamos na última barra, aí a ferida será mais grave ao ponto de ser necessário remover balas de uma perna ou de um pé, ou até mesmo de um braço, ou então de aplicar ligaduras em pleno combate, para não perdermos a barra completamente. Em última análise podemos transportar um conjunto de injecções que milagrosamente recuperam a totalidade da vida e estas podem ser encontradas em praticamente todos os campos inimigos, nos locais das diversas facções onde procuramos missões, etc. Enfim, ver a personagem com uma faca e um alicate, ou então só de faca, a retirar uma bala de uma perna em pleno combate é bonito e até mesmo cinematográfico, mas não deixa de ser uma valente treta… Ainda assim é uma coisa que, pelo menos para mim, é nova e até tem a sua piada. Além disso, ao longo do jogo, vamos fazendo amigos que não só nos ajudam nas missões, como nos contactam para oferecer soluções e caminhos alternativos que nos colocam em vantagem face à missão e que nos beneficiam mutuamente, mas que também aparecem em determinados momentos em que o inimigo nos retirou a totalidade da vida, ou quando somos atropelados por veículos. É engraçado, mas também não deixa de causar impressão na medida em que durante a missão em si também deveria existir a possibilidade de chamar esses amigos para nos auxiliarem. Mas já não é mau que apareçam quando estamos quase a morrer… Peculiar é também a doença que acompanha a nossa personagem (de várias à escolha, mas sem habilidades especiais), a malária. De tempos em tempos temos de tomar um medicamento que afasta os sintomas da doença, não adiciona nada de novo ao jogo, mas por vezes, em pleno combate a visão começa a ficar turva e temos de tomar o medicamente sem perder tempo. Também acaba por justificar outras missões a fim de obter mais medicamentos.

Bem, estes são os principais aspectos positivos de FC2 e, tal como me parece deixei transparecer, não me animam grandemente. Tudo o resto é irritante ao ponto de ser um castigo jogar FC2 por mais de uma hora seguida ainda que o nosso dinheirinho esteja nele investido. A história é simples, existe um fulano que é negociante de armas e que dá pelo nome de Jackal. Esse mesmo fulano é o principal responsável pelo estado da guerra civil na medida em que fornece as armas de ambos os lados do conflito. Desta feita, ele lucra a dobrar e mantém a guerra civil acesa tempo suficiente para enriquecer. A nossa missão é liquidar Jackal. Pelo caminho vamos liquidando outras pessoas importantes. Mas aquilo que realmente irrita em FC2 é que por mais que passemos nos mesmos campos que ainda há 5 minutos havíamos “limpado”, isto é, onde havíamos liquidado todos os inimigos, quando voltarmos por lá a passar, novos inimigos lá estarão à nossa espera. E enganem-se se pensam que podem passar a toda a velocidade por eles sem que eles vos persigam, porque isso apenas vai aumentar o número de inimigos que terão quando pararem o veículo num outro campo. Não importa se “limparam” o campo 5 ou 6 vezes, inimigos continuarão a estar lá sempre à nossa espera. Acontece é que as missões, geralmente, obrigam-nos a passar vezes sem conta pelo mesmo sítio. Sim, é positivo o facto de podermos utilizar transportes públicos para viajar rapidamente de um ponto ao outro do mapa, mas isso apenas funciona para 5 locais abrangentes, isto é, para os 4 quantos do mapa, e para o centro. Tudo o resto tem de ser feito, ou a pé, ou num veículo, e existem, por vezes, 2 ou 3 campos inimigos entre o local onde estamos e o destino.

Para muitos isto até poderá nem ser um mal assim tão grande, mas na minha opinião é um sistema estúpido. Era preferível existir um sistema de facções mais complexo onde existiam vários campos e uma base e quando liquidássemos o seu líder, na base, todos os seus campos, depois de limpos, ficariam desertos à espera de serem controlados por facções tendencialmente pacíficas que nos agradecem o favor de lhes termos feito o trabalhinho todo. Mas nada disto existe em FC2, não existem facções pacíficas, nem tão pouco um sistema de política, o que existe é uma aldeia central que está em “cessar fogo” e esse é o único sítio em que, do início ao fim, podemos andar sem que, do nada, comecem a chover balas. Isto significa que nos outros locais do mapa, enquanto viajamos, tudo e todos nos tentam abater a todo o custo e sem motivo aparente.

Com o tempo isto torna-se trivial e já sabemos que a solução passa por deixar o veículo a meio caminho entre um campo e outro e fazer a abordagem pelo meios das árvores e erva, inspeccionando cuidadosamente o local para aí encontramos posições de snipers, armas automáticas fixas, medicina, munições e até alguns elementos explosivos que, se soubermos esperar pelo momento certo, podem ser utilizados para iniciar a abordagem, eliminando simultaneamente 3 ou 4 inimigos, ao mesmo tempo que incendiamos a erva e as árvores adjacentes, criando um ambiente infernal que destrói veículos, confundido também os inimigos. Mas é isto. Nada mais do que isto. De cada vez que entramos num campo é isto que temos de fazer. A abordagem raramente muda, excepto se o local for um edifício. Ora, isto acontece meia dúzia de vezes, ou mais, durante uma simples missão. E até pode acontecer vezes sem conta se estivermos a explorar.

Mas tudo piora quando falarmos da inteligência artificial dos inimigos. Não há palavras para descrever o seu comportamento ridículo. A sua actividade passa sempre pela mesma lógica de nos tentar rodear, ou flanquear. Nada mais. Independentemente da arma com que estamos, eles comportar-se-ao sempre da mesma forma. Se estamos com uma sniper, num bom ângulo e a uma boa distância, eles nem se dão ao trabalho de se esconderem, muitas vezes, se ainda não nos tiverem avistado (o que é raro), ficam parados à espera de morrer em vez de procurarem imediatamente uma cobertura de onde possam observar para nos tentar encontrar. Mas é muito raro o inimigo não identificar automaticamente a origem do disparo, quando o fazem, em vez de procurarem cover e iniciarem automaticamente disparos contínuos que nos obriguem a sair do local enquanto outros, de carro, se colocam no nosso encalço, eles simplesmente limitam-se a correr na nossa direcção, sem dispararem, o que nos dá tempo para eliminar quase todos. Os restantes, com o revolver, são canja. Já se estamos com um arma automática, ou com uma caçadeira, não é isso que os impede de correrem como loucos na nossa direcção, aproximando-se ao ponto de serem alvos fáceis. É extremamente raro encontrar um inimigo inteligente o suficiente para se esconder nos edifícios quando estamos com uma sniper, ou quando estão completamente sós, aguardando que nos aproximemos. Ainda mais raro é encontrar inimigos inteligentes o suficiente para não se aproximarem quando estamos armados com uma caçadeira… Enfim, são absolutamente ridículos, estou em crer que inteligência artificial deles se limita a um simples correr na nossa direcção.

Por outro lado, os incêndios são uma componente positiva do jogo. Fazer explodir uma botija de gás, ou então ter uma pistola incendiária, ou lançar um rocket, ou até mesmo uma granada ou um cocktail molotov poderá despoletar um incêndio que se propaga rapidamente. O fogo, claro está, inutiliza veículos, mata inimigos ou confunde-os, permitindo entrar a matar num campo para uma abordagem do estilo “Rambo”, ou então proporcionando um belo espectáculo, enquanto aguardamos serenamente que termine para verificarmos se há sobreviventes. Algo que, a meu ver, também é uma novidade muito bem vinda para o universo dos videojogos, mais concretamente dos FPS’s.

Enfim, como podem ver, não fosse o sistema irritante de ser impossível limpar definitivamente um campo inimigo e a extremamente fraca inteligência artificial dos inimigos, FC2 até poderia ser um jogo muitíssimo interessante, talvez um concorrente a jogo do ano. Acontece que existem áreas de um jogo nas quais não se pode falhar! A jogabilidade, isto é, o sistema de jogo, é uma delas. Provavelmente a mais importante. Tenho lido na internet que “muitas trocas de tiros” é aquilo que importa num FPS, mas eu creio que isso é coisa do passado e nestes pontos negativos em específico FC2 poderia ter aprendido muito com STALKER. Não o fez, infelizmente.

O som, por fim, varia entre o excelente e o péssimo. Os efeitos sonoros são muitos bons, especialmente o das armas, os da natureza  e a música envolvente. Disparar uma sniper é alucinante, bem como disparar uma caçadeira, ou uma AK. Mover-se pela erva, ou pelo meio do arvoredo, ou até mesmo enquanto se nada também proporciona bom acompanhamento sonoro. Os veículos e os barcos emitem sons bastante credíveis e são facilmente distinguíveis à distância, permitindo antever um inimigo. Mas as personagens parecem falar apressadamente, sendo extremamente complicado acompanhar um diálogo. Isto acontece tanto durante as chamadas telefónicas, como durante os diálogos face-a-face. Não existem pausas, não existe emotividade. Parece que tudo foi gravado “às duas pancadas” e em “passo de corrida”. Se acompanharmos as legendas e tivermos leitura rápida, ainda somos capazes de seguir o que nos estão a dizer, mas ainda que o façamos, chegamos à conclusão que são diálogos pobres, desinteressantes e que nunca, jamais, ficarão na nossa memória! Não tenho recordação de diálogos tão pobres…

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De 0 a 10 é um jogo de nota 7 em homenagem aos gráficos e ao seu bom detalhe, ao enorme e incrivelmente variado mapa, ao facto das armas perderem qualidade com o uso, ao ciclo de noite e dia com real utilidade e à inclusão do factor “fogo”. Tudo o resto ronda a mediocridade! A história é desinteressante, bem como o sistema de facções e de política que, a meu ver, nem existe verdadeiramente e seria essencial num título que versa uma guerra civil e um mapa tão extenso. Ao mesmo tempo, não interessa quantos inimigos liquidamos ou quantos campos limpamos, os inimigos simplesmente voltam a aparecer assim que temos de lá regressar. A inteligência artificial dos inimigos é absolutamente ridícula…

Já agora, para que não nos fiquemos apenas pelas palavras e para que tenham outra fonte de informação, fiquem com uma outra análise, desta feita por especialistas, ainda que eu não concorde inteiramente com ela.

Sem mais, se quiserem comprar o jogo a bom preço e com portes de envio gratuitos, podem sempre optar por este site.

Abraços.

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1 Response to “(Xbox360) Far Cry 2”


  1. 10 de Novembro de 2008 às 17:15

    Boas…. tudo o que disseste ta tudo certo mas merece uma pontuação melhorzinha nesse teu “Review”, porque a CryTek é uma das melhores empresas do mundo em termos gráficos. A CriteK revolucionou o genero de FPS (como o Crysis). Gostava de saber o preço que está a vender o FarCry 2 . Abraço


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