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Dez
07

Acordo ortográfico, relativamente ao “acordo do desacordo”…

… devo admitir que tenho acompanhado atentamente todas as posições que têm vindo a público, quase todas muito positivas em relação a este “acordo” do “desacordo”. Em jeito de introdução devo dizer que, ao contrário da maioria e para que conste do registo, e talvez apenas para contrariar, ou nem tanto assim, sou completamente contra o acordo ortográfico. Quando digo “contra”, leia-se “completamente contra”. Depois de tanto tempo, depois de ler atentamente todas as pessoas que se dignaram – e bem (mal) – a falar sobre o assunto, devo dizer que Portugal é um grande país, com uma vastíssima identidade cultural, preservando uma língua puramente latina com as suas especificidades que, ao contrário de muitos outros países, soube preservar e levar ao conhecimento dos povos das suas antigas colónias, língua essa que prima, não apenas pela sua extrema complexidade, mas igualmente pelo sua extrema musicalidade, força e ritmo subjacente em cada palavra. Infelizmente, no meio desta tela fantástica, devo dizer que Portugal tem um problema enorme: Tem demasiados Portugueses. Sou levado a pensar que, efectivamente, e para mal dos nossos pecados, só um povo que se encontra em minoria – e sabe o que significa ser a minoria e o que isso implica num país – acaba por dar valor à sua identidade cultural. Quando os nosso antepassados partiram à descoberta do desconhecido, nunca podiam imaginar o que os seus descendentes (lei-se “nós”) iriam fazer com essa cultura…

Pergunto-me o que grandes escritores portugueses pensam acerca desta acordo ortográfico, uma vez que a grande maioria ainda não tornou pública a mesma. Pergunto: até que ponto José Saramago, Herberto Hélder, José Manuel Mendes, Ramos Rosa, Lobo Antunes, Nuno Júdice, entre muitos outros que efectivamente dignificam a nossa língua, a nossa cultura e identidade íntima, aceitarão este “acordo”? Assim, simplesmente, de ânimo leve, como se de apenas um acordo dependesse a língua de todos nós. Especialmente quando o motivo inerente é apenas uma “aproximação”, signifique isso o que significar.

Alguns dirão que eu não gosto da evolução. Aceito a crítica, é infeliz, mas aceito. A realidade é que, bem pelo contrário, aceito-a naturalmente! Perceberam a subtileza? – Naturalmente! Pois que assim tudo deve evoluir, de acordo com as necessidade naturais e não para a semelhança entre dois padrões (que há muito decidiram seguir a sua vida, cada um para seu lado). Efectivamente tudo o que está em jogo são valores económicos. A mais fácil entrada de variados livros e obras nos dois mercados (Portugal e Brasil, sim, porque aos outros ninguém lhes perguntou nada…) é o primeiro objectivo, o segundo será criar uma língua que se possa considerar efectivamente “universal”. Isto é tão ridículo que quase me apetece chorar ao ver a nossa – cada vez menos nossa – língua numa qualquer bancada de super mercado global.

Pergunto-me: porque deveríamos ter uma língua “universal”? Qual a real vantagem disso? É quantidade qualidade? Será que nenhum de vocês percebeu ainda (sim, porque é de entendimento que aqui se trata) aquilo que fizeram com o inglês desde William Shakespeare? É isso que pretendem para o Português? Devo dizer que o RAP e o HIP HOP português vão efectivamente encontrar-se no melhor de dois mundos…

O Português, quando vê o que é dos outros, fica logo desejoso de também ter, de também assim ser, de estar ao mesmo nível. Porque devem os outros países e culturas valorizar o que é “nosso” se nem nós próprios damos valor? E digo “nosso” porque é disso que se trata, não foi o Brasil que nos ensinou a falar o Latim. Que eu saiba os índios falavam outro dialecto. E subentenda-se que isto não é uma crítica ao Brasil, nem à sua cultura, bem pelo contrário, eles sabem preservar o que efectivamente conquistaram com todo o mérito, infelizmente os Portugueses esqueceram à muito a auto-estima, essa mesma que se afunda nas retretes.

Devo dizer que jamais cumprirei este “acordo do desacordo”, jamais, até porque uma lei não vale pela vigência, mas antes pela aplicação, e é aquilo que todos aqueles que, como eu, respeitam o que nos foi legado, certamente farão – ignorar. A língua Portuguesa, aquela que se fala em Portugal, sempre soube seguir o seu rumo de acordo com evolução natural das coisas, dos hábitos, etc, não era preciso agora virem com a “desculpa estragada e fora de prazo” de uma “aproximação”. O que é que isso significa mesmo? Que o que temos está mau? Ou que o dos outros é melhor?

 

Vamos a exemplos:

“úmido” – Sem o “h” mudo nem tão pouco da a sensação de humidade.

 

Não sei se alguma vez pensaram porque certas palavras nos dão a sensação implícita à sua significação formal. Querem outro exemplo? – “sede”. O próprio facto de dizer a palavra causa essa sensação. Muitos mais exemplos há, desde que tenhamos sensibilidade para o efeito.

 

“ação” – abandona-se “acção” que deriva da palavra “acto” (esta também vai para “ato”). Alguém me explica o que é isto? É para preguiçosos? É que já vi justificações que abonam a favor da vantagem desta mudança por se passar a ter apenas 3 letras. Alguém me explica isto? É que não sei se já repararam que as consoantes mudas – ou nem tanto assim – têm efectivamente a sua razão de ser, deriva da nossa identidade latina.

Este é apenas um exemplo, porque praticamente todos os “c” mudos vão desaparecer.

 

Nem vou estar aqui com mais exemplos, porque efectivamente este esforço de procura de motivações é desgastante e não nos leva a lado nenhum. Nenhuma das alterações que querem introduzir modificam, formalmente, nada. NADA! É precisamente isto que todos aqueles que estão a favor dizem. Eu concordo, formalmente não altera NADA, a única coisa que muda identifica-se materialmente, no sentido em que corrompe a nossa identidade, aquilo que faz com que a língua portuguesa seja “nossa”. O Brasil pode falar e escrever português, o seu português, pois que eles também têm o que é seu. Cada um de nós pode seguir o seu rumo sem se preocupar com o que cada um anda a fazer. Alguém ainda tem dúvidas que o interesse é económico? A língua, hoje, é moeda de troca e tem o seu mercado de valores. Daí que a palavra “merda” faça agora todo o sentido e pareça lirismo. Merda para esses gajos que nem falar sabem e, infelizmente, comandam o destino de muitas coisas que nos dizem intimamente respeito.

Alguém se questiona acerca do inglês? “Essa” língua fala-se em todo o mundo. Mas vão ao Reino Unido e apreciem como se fala lá “o inglês” depois compreenderão o que é dar valor à sua identidade linguística, independentemente do que fazem com a sua língua do outro lado do mundo (leia-se EUA), que até são muito mais, mas muitos mais mesmo. Contudo, como podem ver, não é isso que os leva a adaptar a sua identidade para se “aproximarem”. Talvez aprender um pouco dessa “auto-estima” com os nosso “supostos” eternos aliados não seja um exercício menor a alterar a nossa cara língua.

Enfim, devo dizer que somo ridículos, sempre seremos e só perceberemos isso quando todos os outros deixarem de olhar para nós com seriedade. Não valorizamos nada do que temos, nem os nossos próprios escritores, e quando o fazemos damos mais valor a livros da Carolina Salgado, ou a outro tipo de “fast food” literário e é por isso que cada vez se lê mais em Portugal, sem dúvida – mais porcaria. Aquilo que me irrita profundamente é que este discurso que sigo chega, nos dias que correm, a ser considerado como vulgar, porque o que está na moda é ser como os outros e achar que nada tem valor a não ser a originalidade do penteado, da roupa e, quem sabe, do pensamento – seja lá isso o for… Estou cada vez mais convencido que o único local onde se fala português como ele deve ser falado é em África. Talvez não seja ao acaso que praticamente todos os grandes escritores portugueses tenham um enorme fascínio por África, sendo que muitos deles nasceram lá ou viveram lá durante anos.

Sou, neste momento, um homem destroçado, porque sempre achei que fazia todo o sentido preservar e levar ao conhecimento dos outros aquilo que é Portugal, a sua língua, cultura, tal como é ela e não como há quem queira que ela seja, contudo, agora sei que a grande maioria não acha isso relevante, pelo que pode muito bem ser desfigurado para se tornar mais “semelhante” ao dos outros, o que realmente importa são as nossas praias. Os poucos países (entre os quais a Alemanha e o Reino Unido) que ainda estudam a nossa literatura, têm um excelente pretexto para terminar, de vez, com esse esforço pois, dentro de uns meses, lá estarão os poemas de Cesário Verde, Camilo Pessanha, Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Herberto Hélder, entre outros, reescritos, “abrasileirados” por assim dizer.

 

Viva Portugal!!!

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22 Responses to “Acordo ortográfico, relativamente ao “acordo do desacordo”…”


  1. 24 de Dezembro de 2007 às 04:02

    o que dizer… parece que afinal o que aprendi é história, e sim eu nunca irei escrever estória… eu continuo a escrever como aprendi ha bastantes anos atrás, e nao sera um acordo que ira mudar isso…

    para mim eu vou continuar a usar o -, continuarei a escrever acção.

    antes diziam que tinha a piada haver português do brazil e português europeu, agora querem tornar o europeu em português do brazil ?

  2. 24 de Dezembro de 2007 às 11:25

    Boas Mário Martins

    Li mais que uma vez o teu artigo para tentar entender se falas num acordo ortográfico ou num acordo linguístico, é que realmente misturas as coisas e acabas por sugerir no artigo que o acordo é mesmo sobre a língua.

    “…porque deveríamos ter uma língua “universal”? Qual a real vantagem disso?”

    Eu acho que não deveríamos ter e não teremos! E o Acordo Ortográfico é apenas ortográfico e só isso. Agora extrapolar para acordo linguístico, nacionalismos, defesa da nossa identidade e etc, parece-me errado…

    Cumprimentos

  3. 24 de Dezembro de 2007 às 13:41

    RedTuxes
    Obrigado pelo teu comentário.

    Na verdade essa “confusão” (que nem sequer é inocente e já vias perceber porquê) é aquilo que de mais perverso está por trás deste “acordo”. A questão ortográfica é meramente a penumbra, não esqueçamos que da palavra “acordo”, resulta aproximação, cedências, entre outras coisas, porque de um acordo resulta isso mesmo necessariamente. Ora, a questão ortográfica é meramente a desculpa, essa é a verdadeira perversidade de toda esta tela. É o entendimento que retiro daqui, uma vez que, como disse, formalmente, NADA muda. O que não deixa de ser estranho é que, para grande maioria, isto nem tão pouco é questão cultural nem linguística. ERRADO, claro que é!!! Porque temos “h”, se sabemos que são mudos? Porque temos “c” mudos? Porque temos “p” mudos? A resposta é simples: identidade cultural!!! É o resultado de falarmos o latim e não uma língua índia (isto não tem sentido perjurativo, subentenda-se).

    Depois tem todas as questões económicas de que falei e essas sim foram relevantes para este “acordo” e não outras.

    Como disse, para mim é e sempre será uma questão cultural quando o que estiver em causa for uma “aproximação”, uma “verosimilhança”, uma tentativa de “universalização”. Não esqueçamos que o que estão a tentar fazer é criar uma língua universal muito ao género do inglês e do francês. Outra das perversidades ocultadas na penumbra deste acordo. Daí a pergunta: porque deveríamos ter uma língua “universal”? Qual a real vantagem disso?

    Não é confusão, na verdade é um desafio a todos aqueles que acham que se tratam de questões meramente ortográficas.

    Para mim seria uma questão meramente ortográfica quando se tratasse de uma evolução natural da língua, como já sofreu desde o tempo de Camões, ou de Cesário Verde, mais tarde de Fernando Pessoa, etc… Não se esqueçam que não lemos as suas obras como elas foram escritas, se é isso que pensam desenganem-se… Durante todo esse tempo a língua evoluiu, não apenas no modo de escrever, mas também de falar. Inédito é evoluir por causa dos outros, ainda que só ortograficamente.

    Para mim é a subversão completa dos valores da identidade e intimidade cultural (LATINA). Mas, até aqui, tudo bem, é a minha opinião e daí que devo ser como sou e não de outra forma.

    Respeito a opinião dos outros, só não posso aceitar que tenham uma visão tão redutora da questão.

    Abraços

    NOTA: ainda espero a opinião dos senhores que falei em cima, no post.

  4. 4 Joel Reis
    25 de Dezembro de 2007 às 13:57

    Excelente Artigo. pela preservação da nossa língua e não aos brasileirsimos! Espero que já tenhas assinado a petição online: http://www.petitiononline.com/naoacord/petition.html

    Viva Portugal! Sempre.

  5. 5 João Cruz
    26 de Dezembro de 2007 às 18:02

    Subscrevo inteiramente (do inicio ao fim) o autor do artigo. O que é nosso é nosso, o que é dos outros é dos outros! Acabem com esta macacada já! As línguas evoluem através dos povos e não por acordos e decretos-lei! Basta!
    Viva Portugal! Viva!

  6. 6 Juliana Zimmerman Brasília DF
    28 de Dezembro de 2007 às 17:15

    Eu sou completamente contra esse acordo absurdo, aliás, não conheço nenhum lingüista brasileiro que o o defenda. Onde já se viu sumir com o trema, eu não falo sekência, mas sim seqüência. Eu sou a favor de se criar a língua brasileira e assim mudar o que for necessário, seria bem menos traumático e melhor para os dois lados do atlântico. Eu não entendo porque querem aproximar ‘duas’ línguas tão diferentes, não vejo nenhuma vantagem.

  7. 7 Mores Melo
    31 de Dezembro de 2007 às 11:51

    Concordo plenamente, NOSSA língua não é o português, nós falamos brasiliano, que tem uma sonoridade parecida com o italiano. Portanto, não devemos igualar à ortografia de uma língua ININTELIGÍVEL!!!

  8. 2 de Janeiro de 2008 às 21:49

    Caro Mário Martins
    Gostei muito do seu artigo, bravo!
    A petição que deve ser assinada – não é essa ou não é só essa, a qual tem erros. Se quiser vir ao meu blog e procurar lingua portuguesa ou petição acordo ortográfico etc – tem lá muitas entradas sobre o assunto.
    E sob Petições na lista de ligações encontra o link para a petição também. Não deixe de vir e levar outras pessoas a assinarem a petição.

    Lamento os dois últimos comentários.

    Cumprimentos

  9. 9 Ilídio César P. Cândido
    10 de Janeiro de 2008 às 13:05

    “Onde já se viu sumir com o trema, eu não falo sekência, mas sim seqüência”, que absurdo… Nenhum dos dois povos diz sekência, o trema que usam servem-vos de maneira preguiçosa.

    “Concordo plenamente, NOSSA língua não é o português, nós falamos brasiliano, que tem uma sonoridade parecida com o italiano. Portanto, não devemos igualar à ortografia de uma língua ININTELIGÍVEL!!!”, outro absurdo. Só o simples fa(c)to de estares a trocar ideias com falantes do Português-Europeu faz dessa afirmação uma idiotice. Já agora, não sabia que o Brasil tinha sido colonizado pelos Italianos.

  10. 10 Mores Melo
    12 de Janeiro de 2008 às 18:43

    Portuga, és ruim de cognição, prá teu governo vieram mais italianos que portugueses pro Brasil. Conheces pouco a nossa hitória. Quanto a entender a grafia, eu entendo muito mais a CNN en español, que a RTP com Portugal no coração>

  11. 12 Jorge Correia
    22 de Janeiro de 2008 às 02:50

    Boa noite Mário Martins!

    Gostei muito do seu artigo e estou plenamente de acordo. Eu costumo dizer que este acordo é uma negação de um dos nossos valores nacionais e de uma das bases de sustentação da identidade nacional. Isto é uma vergonha nacional. Não devemos esquecer que foi o português que deu origem ao brasileiro e não ao contrário. Digam o que disserem o brasileiro não é português. O galego, tanto escrito como falado, é mais parecido com o português e ninguém diz que eles falam português. Eles estão no direito de falar da maneira que querem, de escrever as palavras da maneira que querem desde que não lhe chamem português. Isto para não falar do chamado português que se fala nas antigas colónias portuguesas. Podem chamar-me ignorante, analfabeto, bota de elástico e outras coisas mais, mas uma coisa eu não vou fazer: reger a minha maneira de falar e escrever por este novo, vergonhoso, acordo.

  12. 13 egp
    26 de Janeiro de 2008 às 12:55

    Há exemplos mais estúpidos, como por exemplo “pára”, forma verbal, que, ao deixar de ser acentuada, vai ser escrita como “para” (preposição”. Criei um texto cheio de preposições e formas verbais para/pára com grafia indiferenciada para demonstrar o quão confuso pode ser o resultado… Enviei até o texto ao portal Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, e a resposta que me enviaram (a favor do acordo) é tão hilariante quanto estúpida… Vale a pena ler: http://neofarpas.blogspot.com/

  13. 14 Ricardo Costa
    18 de Abril de 2008 às 12:20

    Olhem a palavra baptismo… se perder o p fica batismo deixa de se ler bá e lê-se ba e se se puser um acento bátismo passa de palavra grave a palavra esdrúxula além de ter de se ler de forma estranha “BÁ-tismu”. As letras mudas têm razão de ser, quem diz baptismo diz todas as palavras que daí advêm e outras.

  14. 15 Ricardo Costa
    18 de Abril de 2008 às 12:46

    Isto afecta sim a maneira como falamos quem foi o idiota que disse que só afecta a ortografia? Certamente quem quer assinar este acordo e quem está de acordo com ele não percebe muito de língua portuguesa…

  15. 16 de Junho de 2008 às 20:10

    Percebo
    Mas n só os portuguses sofrem,e os palop tbm.fala de identidade cultural,mas n só a identidade portuguesa k ficará subordinada mas também as todas as outras identidades.
    Á cerca do comentário:TEMOS DEMASIADOS PORTUGUESES
    Considero- o um tanto quanto prejorativo,pois os palop n tem culpa dos descobrimentos,(k os portugueses tanto se vanglorizam)q resultou na descoberta e colonização do brasil ,nem da colonização nos outros paises.
    Penso estão a sofrer as consequencias dos actos do vossos antepassados,assim como nós outora sofremos!n temos culpa de ter tentado adptar a L.P ás nossas culturas,as nossas vivências,a nossa identidade.Penso k querendo ou não de certa forma somos todos “portugueses”,pk feliz ou infelismente falamos o mesmo “manbo”.
    É obvio k este acordo tem como principal objectivo,unificar o portugués de forma a colocar a nossa língua num lugar cimeiro no mundo.mas

    Sinceramente não sou a favor do acordo,pk n quero ver a minha essencia linguistica subordinada.Mas sei k o meu argumento n é correcto,pois devia partir do principio de que se falamos a mesma lingua,embora cm algumas particularidades,devia nos ser natural a aceitação deste acordo.
    Infelismente o meu nacionalismo,e egoismo,próprios da especie humana,n me deixam ser “racional”.

    “Mas n há makas,pk eu vou continuar a falar portugues,quer esse manbo do acordo saia,quer não”
    Magda….Uma portuguesa radicada em Angola

  16. 6 de Outubro de 2008 às 15:52

    Como é que se encaram os erros ortográficos se não se mudar o acordo.
    Este acordo foi feito com o propósito; esconder os erros que muitos dão, por não saberem escrever.
    Daí que quando se não sabe escrever, muda-se o ocardo.
    E o burro sou eu!… Que não aprendi mais.

  17. 18 Paulo Soares
    3 de Novembro de 2008 às 15:32

    Desculpem-me os mais liberais, mas sou uma pessoa extremamente conservadora, aficionado por Portugal, pela sua cultura, tradições e passado. Como português, amo este país como quem ama um filho, mesmo com os defeitos que possa porventura ter. Este acordo é uma vergonha nacional. Concordo plenamente com o dito de Fernando Pessoa, quando menciona que a “minha língua é a minha pátria”, e assim sendo, todos esses governantes que assinaram o lastimoso acordo, sem sequer efectuar um plebiscito perderam a moral para dirigir os destinos desta nação. Conheço profundamente o Brasil e posso afirmar com toda a clareza e com toda a objectividade (ainda que me venham a criticar, pois a verdade dói) que o ensino no Brasil é paupérrimo e não é difícil ver erros ortográficos gravíssimos em qualquer extracto social e em qualquer meio de comunicação; prevalece a preguiça e o comodismo linguistico, e não sabendo onde colocar e ler “h”, “c” e “u”, simplesmente os removem. Numa das entradas alguém fez a deplorável menção de que foram mais italianos para o Brasil do que portugueses; sugiro que se informe melhor no seu CNN em espanhol.

  18. 6 de Janeiro de 2010 às 22:13

    Eu tenho algumas perguntas para quem as quiser ler:
    1. Fala-se português ou brasileiro? Português!
    2. Qual é o país mais antigo? Portugal!
    3. Qual foi a metrópole e qual foi a colónia? Portugal e Brasil, respectivamente!
    4. Português deriva, maioritariamente, do latim ou de uma língua indígena? Latim!
    5. Se os brasileiros falam português, devem-no a quem? A Portugal, porque é o país do português!

    Eu já estou como os angolanos que conheço, com todo a respeito aos brasileiros, que escreveram um pequeno texto da qual transcrevo parte «nós somos angolanos, aprendemos o português de Portugal, trabalhámos as terras do Brasil (sim amigos brasileiros, não falem de histórias de escravatura, o meu povo também trabalhou nessas terras!) sob escravatura e voltámos às nossas origens com a capacidade de comunicar com outros povos (Cabo Verde, Guiné, etc.). Temos um vida e uma cultura diferente de Portugal mas nunca propusemos nenhuma mudança linguística porque isso não faria nenhum sentido. Tal como a pirataria, o “gravado” é barato mas não tem qualidade enquanto o original é valioso, estimado e comprado por quem realmente o ama. E a diferença está aí! Não é uma questão de evolução mas uma questão de manter a cultura e as nossas raízes. Se nós não cuidamos do que é nosso, quem cuidará? Os americanos e os australianos jamais propuseram tal acordo à coroa britânica, o mesmo se passa com o Canadá e a França e a América Latina e a Espanha. Brasil está no seu direito de mudar o que quiser. O mesmo para Portugal. Mas que uma coisa fique esclarecida, a língua portuguesa não é do Brasil; a língua portuguesa é de todos os seus falantes. O Brasil lembra-se da sua “bunda” mas esquece o “cu” dos portugueses e do “rabo” dos milhões dos africanos que, realmente, falam português! Portugal que não se esqueça simplesmente do que o povo e o governo angolano disse: ‘se Portugal mudar o “Português” então Angola deixa de falar essa língua! Há que “evoluir”, não é verdade?’.».

    Isto resume o que eu sinto enquanto português nativo. Tenho imenso amigos brasileiros, mas dispenso dizer “estória” em vez de história e “ônibus” (ao menos era acentuar correctamente…
    Apoio o texto acima escrito e isso não me incomoda nada, pelo contrário, senti-me melhor por não ser o único a pensar dessa forma!

    Cumprimentos para todo o mundo – Portugal, Angola, Brasil e todos os outros falantes de português -.

  19. 20 Patrícia Furlan
    27 de Abril de 2010 às 13:57

    O texto acima apenas mostra como o autor ignora a evolução que se deu no português de Portugal e do Brasil.

    Vejamos o que dizem os estudiosos do assunto:

    “Se é que Cabral gritou alguma coisa quando avistou os contornos do Monte Pascoal, certamente não foi “terra ã vishta”, assim com o “a” abafado e o “s” chiado que associamos ao sotaque português. No século XVI, nossos primos lusos não engoliam vogais nem chiavam nas consoantes – essas modas surgiram no século XVII. Cabral teria berrado um “a” bem pronunciado e dito “vista” com o “s” sibilante igual ao dos paulistas de hoje. Na verdade, nós, brasileiros, mantivemos os sons que viraram arcaísmos empoeirados para os portugueses”

    “Luís de Camões (1524-1580) foi o maior poeta da língua. Mesmo assim, o escritor luso Antônio Feliciano de Castilho (1800-1875) achava seus versos péssimos. Há motivo para tal implicância. Um verso de Camões como “e se vires que pode merecer-te”, que para um poeta brasileiro é um decassílabo perfeito – frase de dez sílabas poéticas -, soa mal no ouvido de escritor luso moderno. “Os portugueses comem as vogais que precedem a sílaba tônica, a mais forte da palavra””

    “Graças aos versos, os pesquisadores sabem que Cabral, morto quatro anos antes de Camões nascer, dividia as sílabas como nós, brasileiros. Ou seja, o hábito de engolir vogais surgiu na Península Ibérica depois do século XVI e consolidou-se na língua aos poucos, naturalmente.”

    http://super.abril.com.br/superarquivo/2000/conteudo_118400.shtml

    • 21 tiago lucas
      28 de Agosto de 2010 às 13:42

      patrícia furlan… não sei atestar da veracidade de todo esse texto citado… excepto num ponto. não se sabe ao certo quando camões nasceu, nem sequer o ano, pelo que dizer que cabral foi morto 4 anos antes de camões nascer, assim como assumir que nasceu em 1524, é ignorar este pormenor.. importante.. e isso é um texto de especialistas, como os apresentaste? não sabem sequer isto?

  20. 22 André Rodrigues
    3 de Setembro de 2010 às 17:27

    “o hábito de engolir vogais surgiu na Península Ibérica depois do século XVI e consolidou-se na língua aos poucos, naturalmente”
    É precisamente o “naturalmente” que interessa aqui. Não digo que a forma como se fala e escreve em Portugal é mais pura ou melhor, mas temos direito a escolher como queremos falar, tal como vocês sempre tiveram.


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