05
Jul
07

acordei…

Hoje acordei virado ao contrário, foi uma experiência gratificante, especialmente nova, mas nem por isso novidade. Diria que foi um acordar único entre tantos outros. Assim foi que ao olhar-me ao espelho vi um pinguim recém-nascido, daqueles muito fofinhos. Sim, a minha casa vai deixar de ter janelas.

Nada disto parece fazer sentido, acreditem: não faz; A intenção deste post é começar a fazer.

Só para esclarecer, o que realmente me incomoda é a questão: Porque gosto tanto, e cada vez mais, de Linux, e tão pouco, e cada vez menos, de Windows? Não é fácil responder a esta pergunta, na verdade trata-se de uma daquelas dúvidas existenciais que acompanham um geek, ou um geek bebé. Porque gostamos de uma determinada linguagem de código e nem tanto assim de uma outra? Código não é comigo, nunca estudei qualquer tipo de linguagem de programação, limito-me a olhar determinados padrões em php e html na esperança de perceber o que está errado em determinada coluna, entre outras coisas. Às vezes ainda me dou ao luxo de utilizar um ou outro plugin, que melhoram compatibilidades de variados géneros (como o png no ie6), que algumas almas caridosas colocam gratuitamente na internet. Portanto, neste campo estamos conversados, as dúvidas não existem, porque para existiram, tinha que perceber alguma coisa sobre a matéria, o que não é o caso.

Mas percebo de uma coisa: Percebo aquilo que um utilizador quer em suas casas; Eu sou um aficionado das novas tecnologias praticamente desde que percebi o que “novas tecnologias” significava. Quando comecei a destruir umas instalações do Windows 3.11 no meu IBM 486, com um disco rígido mais pequeno de um CD e com os seus 8 mb de memória ram, tudo parecia tão fácil. Mexe o rato para aqui, mexe o rato para ali, era na verdade um jogo, o PC para pouco mais me servia a não ser para os meus joguinhos de Lotus, Prince of Persia, Privatter, entre outros. Vai daí e dava comigo a aprender a trabalhar com o novo Windows 95, uma pequena cópia de actualização do 3.11 para o Win95, que nem me lembro muito bem como apareceu em minha casa, assim como a aguentar os frustrantes boots que duravam uns frustrantes 10 minutos. Eu diria que na altura, esse pc, tinha duas coisas: O Windows 95 e o Office 97 (creio); Não que precisasse de pouco mais, simplesmente o disco rígido não tinha capacidade física para outras coisas. Vai daí descobri que o Windows permitia algo simples: Compactar o disco. Boas notícias para mim e para os meus jogos, excepto para aqueles que precisavam de extended memory que na altura, para mim, não passava de mais umas palavras em inglês.

O tempo corria, o meu computador não dava lugar a outro. Quando deu, bastantes anos mais tarde, era a vez de um Pentium 4 1.5ghz. Sim, aguentei o meu 486 durante anos, sugiram 3 Pentium’s, placas gráficas e de som dedicadas, entre muitas outras coisas, mas eu nunca mudei o meu PC. O progresso a isso me obrigou mais tarde ou mais cedo. Esse PC novo vinha com uma cópia genuína (na altura isto não era relevante) do Windows Me. Escusado será dizer que pouco tive que esperar pelo Windows XP. O Windows Me não era mau, era péssimo, era simplesmente o terror, nem tenho lembranças de o utilizar… Ainda bem para mim. Nessa altura ainda a maior das minhas preocupações era instalar impressoras e scanners antigos (não pensem que com instalações tão amigáveis como as dos nossos dias), não era tarefa do outro mundo, mas dava para entreter. De vez em quando ainda fazia uns formats só na desportiva, para dar uma que percebia alguma coisa (enfim…), uns trabalhinhos para a escola, entre outras cenas. O tempo nem por isso parou, passou portanto, o PC sofreu recentemente (há cerca de 2 anos LOL) um update que fiz com as minhas poupanças, até que recebi um portátil no ano passado e cheguei à conclusão que algo estava mal com o Windows. No fundo, desde o Windows 95 (nunca testei o 98 em casa, apenas na escola) que algo estava mal no Windows, nenhuma mudança estrutural de fundo acontecia no SO do tio Bill a não ser os preços e as actividades suspeitas e pouco transparentes que ocorriam em background. Um dia, ainda não tinha feito o update à minha máquina, ouvi falar, provindo dos marcianos, de uma palavra acabada em “X”. Diziam-me (uns amigos) que tinham testado (mentira a deles) um novo (nem eles sabiam que de novo nada tinha) SO, era o Linux. Eles nem sabiam o que era uma distro. Mas no fundo, eu sabia ainda menos do que eles, mas nunca tive o hábito de falar sobre o que não sei e decidi investigar. Passei meses a gastar dinheiro do telefone através do modem que instalei no computador para ir à internet, lia, lia, lia ainda mais e cada vez mais fascinado ficava.

Um dia, ao jantar, falava-se na mesa em activar a internet e os meus olhos brilharam. “ADSL” era a palavra de ouro. O resto foi a minha primeira cópia de uma distribuição Linux (mandriva). Uma instalação, confusões em casa porque só havia um PC e ninguém estava disposto a abdicar do Windows por um (diziam) pseudo SO com o qual não estavam familiarizados. Sempre fui democrático, a maioria ganhou, o Linux ficou-se por uma experiência de duas semanas, dores de cabeça com a instalação do modem ADSL da sapo, horas e horas de leitura de fóruns da comunidade, entre outras coisas. 2 semanas em que aprendi mais do que em em 7/8 anos.

No fundo algo se estava a passar dentro de mim, uma revolução. Apercebi-me, como que magicamente, que a minha definição de SO tinha mudado radicalmente. Quando pensava que o SO era basicamente um aplicativo gigantesco, fiquei a compreender que era bem mais do que isso, uma plataforma dinâmica que facilitava a instalação do hardware, alocando recursos e cumprindo todos os esforços para nos facilitar a vida enquanto trabalhamos com a nossa máquina. Um dia ouvi dizer que o meu kernel era muito antigo e que deveria recompilar para o mais recente, ainda que eu tivesse dito ser iniciado. Obviamente que por mais artigos que lesse falhei, formatei o pc e instalei o Windows XP para fazer a vontade à maioria lá em casa. Mas a questão nunca me saiu da cabeça: porque estou a instalar um sistema operativo que custa dinheiro? Estarei a rentabilizar o investimento?

Um dia vi um filme intitulado de “Revolution OS”. Foi o suficiente para toda a minha concepção de SO e OpenSource mudar ainda mais radicalmente. Aquilo que verdadeiramente me fascinava era a filosofia por detrás de todo o software livre que era feito. Descobri finalmente (e de forma clara) de que forma as comunidades GNU e Linux estavam ligadas, e no fundo, ainda que a maioria discorde de mim, para mim a única diferença entre as duas está na concepção de SO. Não são concepções paradoxais, são diferentes apenas. Confesso que as declarações de Stallman no filme Revolution OS para isso ajudaram, ele dizia que tinham criado ferramentas de todos os tipos, debuggers, compiladores, etc, só não tinham ainda uma coisa: um kernel, um núcleo. Foi aí que o Filósofo deu lugar ao Engenheiro e Linus Torvalds entrou em cena como aquele que criou o primeiro Kernel, um Kernel que, segundo Stallman, funcionava fascinantemente bem e que era compatível com grande parte das aplicações criadas pela comunidade GNU.

Com tudo isto, onde eu verdadeiramente queria chegar era à resposta, porque gosto cada vez mais de Linux e cada vez menos de Windows. A resposta é simples, o Linux é verdadeiramente nosso, verdadeiramente ensina e prepara quem necessita de um computador. Na escola, quando um professor ensinava, eu nunca gostei do tipo de ensino em que nos davam o conhecimento e não explicavam como se chegou a ele, ou como o podemos compreender. Não. Muitas da vezes dão-nos o conhecimento, sabemos que funciona, é fascinante, mas não o compreendemos. O Windows faz precisamente isso, funciona, não há dúvida que funciona, é fascinante e simples, não há dúvida, mas alguém realmente percebe o Windows? Quantos utilizadores sabem as tarefas que o SO Windows executa, por exemplo, para instalar e desinstalar uma aplicação?

Vou dar um exemplo muito simples: Um utilizador Windows que pouco entende de informática nunca precisará de saber o que significa um “target”, ou que um atalho redirecciona para isso mesmo. Quem não conhece pessoas que acham que simplesmente apagar um atalho é suficiente para apagar o jogo ou o programa? E quando dizem que os jogos deixam os pc’s lentos e são capazes de gritar, berrar, para se fazerem entender e terem razão!!!??? Será que é a informática em si que faz isto aos utilizadores, ou é o Windows? Eu sei, para os que não entendem, Windows e a informática, até mesmo a internet, é a mesma coisa… Por aqui parece que vamos a algum lado, menos ao lado que interessa. Isto não preocupa nenhum de vocês? Confesso que a mim me preocupa. Faz-me lembrar um post de um amigo do planetgeek quando diz que vai ao banco para tranferir uma conta (ou algo de género) e no fax o tratam por dummy. Agora eu não sou perito nem formado em banca e fazem as coisas à maneira deles para que eu não perceba nada, e ainda me chamam de dummy? Chego, em dias de elevado stress, a pensar que a informática deveria realmente não ser para todos… Como os títulos de engenheiro, arquitecto, doutor, não são para todos. Porquê? E porque é a informática para todos? Era a informática para todos na década de 80?

O Linux vem abrir aqui muitas portas. Mas o que assusta é que mesmo no mundo do Linux começamos a poder efectuar tarefas sem nunca perceber realmente o que o PC está a fazer, isto assusta-me porque um erro surge, não se sabe de onde, e uma linha de comandos ou um log deixam precisamente os registos que necessitamos para resolver o problema. Em Windows limitamo-nos a esperar um update que resolve o dummy code que utilizaram algures (outros limitam-se a fazer gráficos de “days of risk” para a sua empresa). E é impressionante como durante estes últimos 2 anos tenho resolvido inúmeros problemas (sem necessitar de saber uma única linha de código) de determinado programa com a minha, e só com a minha máquina, que de outra forma nunca veria resolvidos, porque simplesmente não é rentável criar um patch para uma máquina em especial. Tudo isto porque sei trabalhar minimamente com a consola, ou porque entendo minimamente qual e como funciona o meu hardware, conhecimentos que na minha opinião deveriam ser básicos. Se perguntar a todos os meus amigos que têm pc qual o hardware que o constitui, apenas 20% deles o sabe dizer, os outros 80% limitam-se a dizer que têm um dual core, ou 1 / 2 gigas de memória, nada mais. Alguns deles poderão até confundir hardware com o SO, quem sabe? … Isto parece-me grave, mas é tão comum, que nos chegamos a habitual a falar como noobs para cada um deles.

Depois estes pensamentos passam-me, acordo para a real vida e percebo que a informática deve, sim e indubitavelmente, ser para todos.

 

 

Mas uns merecem pagar por ela, outros não.

 

 

Abraços.

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