Foi assim a última das “agulhas em palheiro” de Cláudia Moura:
in ojardimassombrado.blogspot & bibliotecariodebabel.com
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Todos sabemos o estado da cultura literária em Portugal é uma ferida com a exacta profundidade do buraco intelectual em que caiu o jornalismo. São duas áreas em absoluta e incandescente decadência que, em certo ponto, se têm vindo a cruzar tristemente. A primeira, talvez por culpa do novo tipo de sociedade de massas em que vivemos e que arrasta consigo demasiadas distracções fúteis, mas principalmente – e isso é claro – por leituras e interpretações tristes, apressadas e desatentas daquilo que foi a modernidade no panorama literário português (mas aqui eu prefiro centrar as atenções principalmente no panorama poético), as quais levam a tentativas precárias de cópia (especialmente de Ruy Belo) que – e eis o primeiro crime – têm obtido todo o crédito por parte de um pequeno punhado de editoras, as quais, decididamente, já só existem para pagar as contas e encher os bolsos de alguns. A segunda, talvez pelo culto da imagem (tendência igualmente transportada para a literatura – o segundo crime sem perdão): ora jornalistas que agora têm uma face e uma opinião – e pouco mais – pela qual são conhecidos, ora “fazedores de opinião” stricto sensu que nem são jornalistas, nem coisa alguma, mas tão-somente políticos encapotados.
No meio de toda esta distorção e devastação, havia surgido uma pequena flor, um nicho doirado, onde residia grande parte da esperança que muitos depositavam numa renovação, tanto jornalística, como também, de certo modo, literária: o chamado “jornalismo cultural”. Também eu o via como um “grito mudo e involuntário” de revolta contra aquilo que vai no jornalismo e na literatura. Mas cedo vieram os que “comem tudo” para abafar os poucos raios de sol que essa “pequena flor” tinha – e eram tão poucos os que ela necessitava e desejava. Parece que no jornalismo e na literatura, tal como na vida, a “bonança e a riqueza” têm uma tendência gravitacional que as levam, sempre e inexoravelmente, a servir de alimento a uns mesmos “buracos negros” que habitam os antros dessas tão “tristes galáxias”.
Resta-nos a consolação de que tudo terá um fim: porque quando tudo tenham engolido, nada mais restará senão os próprios “buracos negros” que se alimentam uns dos outros, até que o último – o maior -, atropofagicamente, se devora a si próprio.
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Depois deste desabafo, resta-me desejar toda a sorte do mundo à Cláudia Moura cuja pessoa não conheço. Conheci e apreciei apenas o seu trabalho – e esse diz tudo sobre a pessoa que ela é.




