
(Fotografia © Gonçalo Villaverde-DN)
Depois de ler o artigo da colega Conceição Paulino no Glob-PT, e uma vez que a questão do jornalismo de Manuela Moura Guedes tem vindo a ser amplamente discutida neste blog, fiz mais algumas pesquisas acerca do tema na medida em que não esperava que o Conselho Deontológico do Sindicado dos Jornalistas (CDSJ) tivesse a coragem de expressar o óbvio da forma como o fez. O CDSJ, que se reuniu no dia 29 para dar parecer sobre a recente entrevista ao Bastonário da Ordem dos Advogados, pela voz do seu presidente, Orlando César, e em declarações prestadas à Lusa, considera que Manuela Moura Guedes pratica um “jornalismo reprovável”, aclarando:
Consideramos esta forma de estar no jornalismo e de fazer jornalismo reprovável.
O Conselho Deontológico não pode deixar de reprovar o desempenho de Manuela Moura Guedes na condução do ‘Jornal Nacional – 6.ª feira’ e concitar a própria e a direcção da TVI ao cumprimento dos valores éticos da profissão.
Analisámos apenas este caso, que constitui um avolumar de situações e nos levou a tomar uma posição. Além disso, recebemos pedidos de pareceres e queixas de jornalistas e telespectadores.
Considera-se inaceitável que, para além de outros aspectos, na apresentação das notícias, o jornalista confunda factos e opiniões e se exima da responsabilidade de comentar as notícias com honestidade.
Os pivôs devem estar claramente conscientes de qual o seu papel, se o de ‘entertainer’ ou o de jornalista, não devendo confundir o conflito e o espectacular com a importância das notícias.
O CDSJ sublinhou ainda que os jornalistas devem “permitir que os seus entrevistados expressem os seus pontos de vista com serenidade e não sejam apenas convidados a participar num espectáculo de enxovalho, em que eles são as vítimas.” Desta feita, “devem abster-se de introduzir apartes, comentários, expressões e recorrer à linguagem não oral, susceptíveis de conotarem e contaminarem o conteúdo informativo, comprometendo a própria isenção dos profissionais que, conjuntamente, trabalham naquele espaço de informação“.
O comunidade do CDSJ pode ser consultado aqui.



