Às vezes pergunto-me o que significa a palavra “governo” na acepção institucional da palavra! Se realmente existe alguma relação genética com a acepção gramatical da palavra, então ficaria surpreendido…
Esclareço. Já tinha visto na TV a declaração, em plena Assembleia da República, daquele senhor que, dizem, gosta de correr e onde quer que vá, especialmente lá fora, precisa mandar fechar ruas para poder correr à vontade. E agora, de forma mais concreta, fui presenteado com a seguinte notícia:
Ao que parece vai ser atribuído um computador e ligação de banda larga a cada estudante inscrito no 10.º ano, pelos vistos 240 mil estudantes. Isto é tudo muito bonito, e eu realmente até nem discordo nem podia, sob pena de apedrejamento na via pública… O que não consigo perceber é como vai o estado fazer tudo isto?
Sim, porque quando eu andava no secundário, fazia-se exercício orçamental para ter meia dúzia de computadores numa sala partilhada por 3000 alunos, com uma ligação à internet absolutamente ridícula, e tendo em conta que a maioria ia para lá jogar “diablo” (confesso que também fui algumas vezes).
Já para não falar nas chamadas casas da cultura, que andava eu ainda no secundário, tinham dois computadores com modems de 56kbs, e tudo isto porque se apertava o cinto…
Mas agora, podem-se oferecer 240 mil computadores (ao que parece sem pagamento inicial, mas gostava de saber mais sobre o pagamento posterior) com 240 mil ligações à internet a estudantes com pais, alguns deles, em situações degradantes em termos financeiros, sem dinheiro para simples instalações telefónicas e sem possibilidade de gastos energéticos inerentes a um PC. Sim, temos que pensar nisto, porque esta realidade não existe só aqui para os lados de Fafe, é uma realidade que acompanha todo um país.
Isto é o desgoverno completo. Para mim é uma medida publicitária, de campanha “avant da lettre”, nem sei onde vão buscar meios, tendo em conta que só passaram cerca de 4 anos desde que abandonei o ensino secundário e na altura era preciso apertar o cinto para ter tudo aquilo.
Ahhh, mas parece que os professores dos ensinos básico e secundário também vão poder adquirir portáteis pelo super, hiper, mega preço de 150 euros!!! Deve ser daqueles portáteis que se dão às crianças de 5/6 anos no natal…
Eu compreendo estas medidas. Sem dúvida esta é a verdadeira noção de estado na sua acepção moderna de solidário! Mas isto é desgoverno e não acompanha, pelo menos ainda, a realidade das famílias portuguesas.
Abraços





